GRACE - Arte em Cachoeira Escura

Iniciativa promove resgate cultural

O processo de evolução humana deve ser baseado em um relacionamento integrado e equilibrado entre o ser humano e o meio ambiente. As estratégias de desenvolvimento devem conceber ações que preservem a natureza, garantindo continuidade à biodiversidade, e possibilitem subsistência e melhoria de qualidade de vida à sociedade. Desta forma, iniciativas que contribuam para o processo de autoconhecimento do cidadão, percebendo sua importância e papel na sociedade e na natureza são elementares para vivenciar-se a efetiva sustentabilidade.

O projeto Grupo de Artesãs de Cachoeira Escura (GRACE), desenvolvido com o apoio do SEBRAE, consiste em um trabalho compartilhado entre o Grupo de Artesãs de Cachoeira Escura e a equipe técnica para desenvolvimento do artesanato local. O objetivo do projeto é diagnosticar as necessidades e potencialidades da comunidade em Belo Oriente para desenvolver projeto para geração de trabalho e renda de forma a valorizar a cultura local como potencial transformador. A iniciativa contempla ainda o estudo da aplicabilidade de subprodutos do processo de celulose para a composição dos artesanatos.

Existe um significativo cuidado por parte da CENIBRA em minimizar, reciclar, recuperar e reutilizar os resíduos provenientes da indústria de fabricação de polpa celulósica de forma a evitar impactos ambientais. As fibras do tratamento primário são fibras retiradas nos decantadores primários da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) industrial a 50% de umidade. O resíduo é composto basicamente por fibras obtidas no processo de depuração da polpa celulósica após serem lavadas e prensadas. Este material é classificado como de classe II A por ser não perigoso e não inerte e é o material que, neste projeto, foi utilizado como matéria-prima.

A partir de exercícios de reflexão do material fornecido pela empresa CENIBRA - fibras do tratamento primário da celulose, além da avaliação da história, paisagem e tradições de seus habitantes, propõe-se pensar um artesanato com identidade cultural. A dinâmica do trabalho desenvolvido compreende a verificação das expectativas das artesãs, a disponibilidade e aplicabilidade da matéria-prima, a organização da atividade e do processo produtivo, consolidação de associação representativa, comercialização e sustentabilidade da iniciativa.

Foi realizada uma série de encontros para trabalhar os aspectos de pesquisa de produto e matéria-prima (textura, cores, aspectos e aplicabilidade), história local, tradições, percepção e composição de paisagens, relacionamento com o meio ambiente, utilização adequada e sustentável dos recursos naturais, além de estratégias de gestão e Desenvolvimento Humano.

Foram realizadas várias avaliações do material: quantidade de polpa usada, resistência e interação com água, fogo, cola e etc. O estudo para definição de produtos considerou a paisagem histórica e cultural da comunidade, bem como as possíveis aplicações da fibra de celulose. O primeiro esboço foi no papel, retratando de forma singular a identidade trabalhada. Posteriormente este desenho foi transferido para o objeto através da pintura. O final surpreende a todos, não só pelas belas peças feitas, mas também pelo recorte trabalhado com tanta expressão.

O Projeto promoveu oficinas para integrar as artesãs ao processo de trabalho coletivo, com uma gestão continuada da atividade, utilizando a identidade cultural como instrumento propulsor de desenvolvimento. Durante as oficinas de desenvolvimento de produto, as artesãs puderam verificar quais os possíveis produtos (luminárias, utensílios domésticos e etc.) são possíveis a partir da matéria-prima escolhida.

A iniciativa promoveu resgate histórico da comunidade, bem como estímulo à autoestima das artesãs por meio da valorização da atividade. Além disso, o projeto tem se estabelecido como referência ambiental no aproveitamento de subproduto de processo industrial para construção de itens sustentáveis.

As artesãs já possuem uma linha básica de produtos e estão em fase de prospecção de mercado e novos produtos. Os ganhos do projeto envolvem aspectos referentes à Economia (Economia criativa / participativa / solidária / doméstica); Design (inovação, matéria-prima e forma de utilização com resultado acima da média esperada, considerando a capacidade técnica inicial das artesãs); Meio Ambiente (reaproveitamento de resíduos e subprodutos do processo industrial / composição de produtos ecologicamente inteligentes e sustentáveis) e Social (desenvolvimento humano / Comportamento / Inclusão familiar / Relevância do saber, perceber e pertencer aos espaços da comunidade).

As produtoras participaram da Semana Interna da Cultura, na Unidade Industrial da CENIBRA em Belo Oriente (MG), e do Fomenta SEBRAE, em Ipatinga (MG). Além de exposição e comercialização de produtos, as referidas participações se desdobraram em convites de parcerias para viabilizar a exposição do Projeto em Shopping Center e Hotéis da região do Vale do Aço (MG).

 

Acompanhe o andamento do Projeto em http://artesanatoparacachoeiraescura.blogspot.com.br/?view=magazine